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13º salário: por que a segunda parcela vem menor, e como saber o que sobra antes de gastar

O 13º cai na conta e parece muito dinheiro. Em fevereiro, ninguém sabe pra onde ele foi. Não é falta de disciplina: ele chega no mês das compras de Natal e três semanas antes do IPTU, do IPVA e da matrícula escolar. Boa parte dele já estava comprometida antes de entrar.

Este texto tem as datas que valem, o motivo de a segunda parcela vir menor (é a dúvida que reaparece todo dezembro) e um jeito de enxergar o que sobra antes de decidir o que fazer com o dinheiro.

Os prazos das duas parcelas em 2026

O 13º não é um pagamento só. A Lei 4.749/1965 dividiu em dois, e cada metade tem uma regra diferente:

Um detalhe que muda a data na prática neste ano: 20 de dezembro de 2026 cai num domingo. A lei fixa o dia 20 como limite e não diz nada sobre fim de semana, mas crédito de folha não cai em domingo, então a prática consolidada é antecipar para o último dia útil anterior. No calendário de 2026, sexta-feira, 18 de dezembro. Confirme a data com o RH. Já o dia 30 de novembro cai numa segunda-feira, então esse prazo segue como está.

Primeira parcelaSegunda parcela
Prazo legal1º de fevereiro a 30 de novembroAté 20 de dezembro
Data-limite em 2026Segunda-feira, 30/11. É o último dia permitido, não a data de pagamento: muitas empresas antecipam, junto com o salário de novembro ou nas fériasNa prática, sexta-feira 18/12 (dia 20 é domingo)
Quanto éMetade do salário do mês anteriorO restante do 13º, menos os descontos
Desconto de INSSNão temSim, sobre o valor bruto do 13º, apurado em separado do salário do mês
Desconto de Imposto de RendaNão temSim, também apurado em separado. A base não é o bruto: dela saem antes as deduções legais

Regra geral da CLT. Acordo ou convenção coletiva da sua categoria pode antecipar datas. Confira com o RH antes de contar com um dia específico.

Por que a segunda parcela vem menor

A primeira parcela sai limpa. Metade do salário, sem INSS e sem Imposto de Renda. É por isso que ela parece generosa.

Só que os descontos não foram perdoados. Foram adiados. Os dois olham o 13º inteiro, não a metade que sobrou, e a lei manda descontar tudo de uma vez, na segunda parcela.

Aqui entra uma diferença entre os dois que quase todo texto sobre 13º atropela. O INSS incide sobre o valor bruto do 13º. O Imposto de Renda, não. A base dele começa no bruto, mas antes de a tabela ser aplicada saem dali as deduções legais admitidas, entre elas o próprio INSS que acabou de ser descontado do 13º, a dedução por dependente e a pensão alimentícia fixada judicialmente. Ou seja: valor bruto do 13º e base de cálculo do IR são dois números diferentes, e o segundo é menor.

Tem mais uma coisa que confunde. Esse imposto não se soma ao do salário de dezembro. O 13º é tributado exclusivamente na fonte e em separado dos demais rendimentos do mês, com conta própria (Decreto 9.580/2018, art. 700). Por isso, no mês de dezembro, o holerite do 13º vem apartado do holerite do salário.

Na conta: alguém com salário de R$ 3.000 e o ano inteiro trabalhado tem 13º de R$ 3.000. Em novembro entram R$ 1.500, sem desconto nenhum. Em dezembro chegam os outros R$ 1.500, e é deles que sai a conta inteira. Primeiro o INSS, sobre os R$ 3.000. Depois o IR, que parte dos mesmos R$ 3.000, subtrai o INSS recém-descontado e as demais deduções a que a pessoa tenha direito, e só então aplica a tabela do ano sobre o que restou. Se a soma dos dois descontos der R$ 270, a segunda parcela é R$ 1.230, e não R$ 1.500. Se der outro número, a mecânica é a mesma: a primeira parcela não muda, quem absorve tudo é a segunda.

O valor exato depende das faixas do INSS, da tabela do IR daquele ano e das deduções que você tem a lançar, e essas três coisas mudam. Confira no holerite, não numa estimativa de cabeça. A direção costuma ser essa: quem manteve o mesmo salário recebe a segunda parcela menor que a primeira. Tem um caso em que ela vira: se você foi promovido ou pegou dissídio depois do adiantamento, a primeira parcela ficou presa à metade do salário antigo e o 13º inteiro passou a valer pelo novo. Aí a segunda pode sair maior, mesmo com os descontos.

Uma coisa que costuma confundir: o FGTS incide sobre as duas parcelas, mas ele não é desconto do seu bolso. É depósito que o empregador faz na sua conta vinculada, por cima do que você recebe.

Quem tem direito ao 13º

Tem direito quem tem vínculo de emprego:

Não tem direito por lei:

Entrou no meio do ano? Você recebe proporcional: um doze avos do salário por mês trabalhado. Mês em que você trabalhou 15 dias ou mais conta como mês inteiro. Quem foi contratado em 10 de junho, por exemplo, fecha o ano com sete doze avos.

O dinheiro já estava comprometido antes de cair

Aqui está a parte que nenhuma calculadora de 13º resolve.

Novembro e dezembro concentram gasto: presente, ceia, viagem, confraternização. Janeiro concentra boleto: IPTU, IPVA, licenciamento, material escolar, matrícula, seguro do carro. E, entre os dois, tem a fatura do cartão de dezembro, que fecha em dezembro e vence em janeiro.

Repare no que isso faz com a percepção. No dia 30 de novembro você abre o app do banco e vê um saldo grande. Aquele saldo não sabe que o IPVA existe. Não sabe que a fatura de dezembro ainda vai fechar. Não sabe que a compra em 6× da Black Friday tem parcela caindo até o meio do ano seguinte, porque a primeira delas só entra na fatura que fecha depois da compra. É um número verdadeiro respondendo a pergunta errada.

O parcelamento merece parágrafo próprio. Comprar em 10× em dezembro parece diluir o gasto, mas o que ele faz é transformar um problema de dezembro em dez problemas até outubro. E se você tem faturas em vários cartões, o efeito piora, porque o total nunca aparece num lugar só.

Como ver o que sobra antes de gastar

A pergunta útil não é "quanto eu vou receber de 13º". É "quanto sobra depois de tudo que já está marcado pra novembro, dezembro e janeiro". No Equilibrium, dá pra responder assim:

Fora isso, as assinaturas que renovam sozinhas têm tela própria, em vez de sumirem no meio da fatura. Os compromissos pendentes do mês ficam numa lista com vencimento e valor, sem você caçar em três apps de banco. E dá pra perguntar ao Vault AI, em português, quanto sobra em dezembro, que ele responde com os seus números.

Painel do Equilibrium mostrando o Caixa Final Projetado do mês selecionado, com entradas, saídas e o que ainda está em aberto
O Caixa Final Projetado: onde o seu caixa chega no fim do mês que você está olhando, já com o que ainda não foi pago.

Se o 13º entra em duas pessoas na mesma casa, muda de figura: são duas datas, dois valores e uma conta só de dezembro. O cofre compartilhado coloca os dois olhando o mesmo número, com papéis diferentes. É o assunto de como organizar as finanças do casal sem brigar.

O que o Equilibrium não faz. Ele não calcula folha de pagamento, não emite holerite e não substitui o RH nem o contador. O valor exato do seu 13º e dos descontos vem do seu empregador. O que o app faz é outra coisa: mostrar o que já está comprometido no mês em que o dinheiro entra, pra você decidir com o número certo na frente.

Perguntas frequentes

Quando cai a primeira e a segunda parcela do 13º em 2026?

A primeira parcela pode ser paga entre 1º de fevereiro e 30 de novembro, que em 2026 cai numa segunda-feira. A segunda vai até 20 de dezembro, que em 2026 cai num domingo. A lei fixa o dia 20 como limite e não trata de fim de semana, mas crédito de folha não cai em domingo, então a prática é antecipar para o último dia útil anterior, sexta-feira, 18 de dezembro.

Por que a segunda parcela do 13º vem menor que a primeira?

Porque a primeira parcela é paga sem desconto de INSS e de Imposto de Renda, e os dois são cobrados de uma vez só na segunda. O INSS incide sobre o valor bruto do 13º. Já o Imposto de Renda é apurado em separado do salário do mês e sobre uma base menor que o bruto: dela saem antes as deduções legais admitidas, entre elas o próprio INSS descontado do 13º, a dedução por dependente e a pensão alimentícia fixada judicialmente. A primeira metade sai limpa, a segunda carrega a conta inteira.

Quem foi contratado no meio do ano recebe 13º?

Recebe proporcional: um doze avos do salário para cada mês trabalhado. O mês em que a pessoa trabalhou 15 dias ou mais conta como mês inteiro. Quem começou em 10 de junho fecha o ano com sete doze avos.

MEI, autônomo e estagiário recebem 13º salário?

Por lei, não. O 13º é direito de quem tem vínculo de emprego. O MEI paga o 13º do empregado que contratar, mas não a si mesmo. Estagiário só recebe se a empresa pagar por política própria, porque a Lei do Estágio não prevê.

O Equilibrium calcula o meu 13º salário?

Não. O Equilibrium não é calculadora de folha de pagamento e não substitui o RH nem o contador. O valor exato vem do seu empregador. O que o app faz é mostrar os compromissos que já existem em novembro, dezembro e janeiro, para você ver o que sobra antes de gastar.

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Escrito por Victor Rizzo, fundador do Equilibrium · Atualizado em 08/08/2026